terça-feira, 26 de julho de 2011

Descartável


Na última crônica, observamos um Machista filosofar sobre o Cavalheirismo em um local nada convencional para isto. Agora, vamos observar a reação de um antigo conhecido de vocês, quando suspeita da traição de sua esposa.

É claro que todos se lembram do casal Roberval e Claudilene, não é mesmo? Em nossa série, acompanhamos como Roberval tratou Claudilene quando teve seu desempenho sexual questionado por ela, que por sua vez, mostrou se “arrependida” em uma confissão ao Padre de sua paróquia.

O que acontece agora, é que Roberval está desconfiado de sua esposa. Há muitos dias ele tem percebido que Claudilene está muito diferente. Já não fazia mais cobranças, os ciúmes bobos não existiam e além de tudo, transcendia felicidade e uma segurança que ele nunca vira nela, nem quando eram namorados. Na cabeça de um homem Machista, estas são dicas irrefutáveis de que ela tem outro.

Sendo assim, Roberval resolveu contratar um Detetive Particular. Ele queria ter certeza da traição da esposa antes de resolver o assunto da única maneira que conhecia, ou seja... na base da porrada.

Depois de alguns dias, o Detetive marcou um encontro na frente do Motel “Meteoro da Paixão”. Disse que havia seguido Claudilene até lá e esperava sua saída para efetuar o flagrante. Quando o marido traído chegou ao local combinado, os dois se cumprimentaram e ficaram calados por alguns instantes, até que o corno, quer dizer, Roberval quebrou o silêncio:

_ Eu até agora não posso acreditar que Claudilene fez isso comigo. Depois de tudo que dei a ela. Do carinho, da atenção... haaa, mas isto não vai ficar assim! Vou acabar com a raça daquela vagabunda.

O Detetive respira fundo e com um ar de sabedoria, leva sua mão direita até o ombro de Roberval e diz:

_ Sabe, já vi muitos casos como o seu e na maioria deles, acontecem tragédias exatamente porque uma das partes não teve sabedoria para lidar com a situação. Por isso, contenha-se!

Ao escutar o Detetive, Roberval abaixa a cabeça, envergonhado pelo que disse. Vendo está cena, o “free lancer da lei” resolve explanar alguns pensamentos sobre o mundo atual.

_ Não há do que se envergonhar Roberval, você não é o primeiro e nem será o último a passar por uma situação assim. Como lhe disse, já vi muitos casos como este e com o tempo de serviço, criei algumas teorias para as traições que estão acontecendo hoje em dia.

Roberval levanta a cabeça e a direciona para o Detetive, mostrando grande interesse no que ele tem a dizer.

_ A sociologia explica que estamos em plena “Era da Informação”, mas acredito que seria melhor chama-la de a “Era do Descartável”. Já notou como tudo é descartável neste mundo? 

Com um olhar confuso, Roberval demonstra que não sabia onde ele queria chegar com esta conversa. Porém, esperou que o Detetive continuasse sua teoria.

_ Já ouviu alguém dizer ultimamente que precisa trocar a bateria de seu celular? Roberval fez um gesto de negação com a cabeça e o Detetive continuou. 

_ As pessoas não compram baterias novas, simplesmente porque é mais fácil trocar de celular. Compram um modelo mais novo, com funções fantásticas, mas que nunca vão chegar a usá-las. Este mesmo exemplo você pode aplicar com televisões, roupas, carros e até mesmo casas. Tudo virou descartável e o problema, é que estamos fazendo o mesmo com nossas relações, sejam elas de amizade, profissionais ou amorosas. As pessoas não tentam mais resolver seus problemas, elas simplesmente se descartam e escolhem um “modelo melhor”.

Roberval ficou encantado com a sabedoria do detetive. Nunca havia pensado desta maneira e não pôde deixar de se sentir naquele momento como um celular velho, de funções ultrapassadas e bateria viciada. Porém, seus pensamentos foram interrompidos novamente pelo Detetive.

_ Veja! Parece que há uma movimentação na saída do Motel. Vá até a esquina e fique por lá, deixe que eu dê o flagrante. Vou tirar algumas fotos e você as usa como quiser. Porém lembre-se de ter muita sabedoria. Nada de violência, isto só piora ainda mais as coisas.

Roberval concordou e foi até a esquina. Estava satisfeito por ter contratado alguém tão sábio e com as emoções controladas. Depois de alguns minutos, escutou o que parecia ser uma discussão e quando se deu conta, viu o Detetive atracado com uma mulher na porta do motel. Era um verdadeiro barraco, com gritos, socos, pontapés e puxões de cabelo.

Roberval correu até o local já gritando com o Detetive.

_ Ficou maluco? O que está fazendo? Você não tinha me dito que violência não leva a nada nesses casos?

O Detetive parecia estar tomado por um ódio tão brutal, que nem escutou os gritos de Roberval, que ao se aproximar percebeu que não conhecia a mulher que estava apanhando.

_ Espera aí! Está que saiu do Motel não é a minha mulher.

O Detetive então dá o último tapa na cara da coitada e se vira para Roberval dizendo:

_ Mas é a minha!

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Nota do Autor: Mais uma piadinha Machista que recebi por e-mail e achei muito oportuno muda-la um pouco para deixar alguns recadinhos. Acredito que violência não leva a lugar nenhum, principalmente em casos como este. Só irá aumentar o sofrimento.

Nota Nota do Autor: A teoria do descartável, foi moldada em conversas com a psicóloga Vanessa Gontijo. Vamos refletir sobre o tema? O que estamos fazendo com nossas relações?

Nota Nota Nota do Autor: Estou também no Facebook e no Twitter. Para me encontrar no Facebook é simples, basta procurar por Joubert Amaral (acredito que não deva ter outro no mundo). Já para me seguir no Twitter, procure por @joubertamaral.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Cavalheiro


A cada semana, avançamos em nosso estudo sobre o comportamento dos últimos espécimes Machistas em um planeta dominado pelo Feminismo.

Desta vez, vamos observar como um Machista analisa o Cavalheirismo, uma atitude muito comum no passado entre os homens, mas que hoje está fora de moda.

Sendo assim, conheça Arnaldo, um Machista de aproximadamente cinquenta anos e que igual a muitos cidadãos que vivem nas capitais deste país, sofre com os problemas do transporte público. Se você está se perguntando o que isso tem haver com o tema abordado nesta coluna, respondo que tem tudo. Primeiro, porque é em um ônibus ou metrô lotado que observamos os atos mais simples de cavalheirismo. Segundo, porque sempre que estamos em um ônibus lotado e ainda por cima presos em um engarrafamento, o passageiro do lado quer puxar assunto, não é mesmo? Principalmente quando você quer apenas ficar sozinho com seus pensamentos.

Foi em um destes dias, preso em um engarrafamento quilométrico, em um ônibus lotado e ainda por cima com as janelas fechadas por causa da chuva (não sei como é o inferno, mas imagino que o transporte para lá é deste jeito), que Arnaldo resolveu filosofar sobre o cavalheirismo com uma moça que estava sentada ao seu lado.

- Já notou como as pessoas estão cada vez mais sem educação? Pergunta Arnaldo, fazendo com que a moça apenas vire a cabeça e responda com um empolgante: “hum”.

Mesmo notando que ela não estava muito para conversa, Arnaldo respondeu a própria pergunta.

- Sabe... tenho notado que desde que o Feminismo tomou conta do mundo, ninguém mais faz gentilezas. O próprio homem que antigamente tinha o cavalheirismo a seu favor, hoje não o usa mais, já que para muitos isso é brega e antiquado. Muito triste não é mesmo?

A moça a seu lado, movimenta apenas um pouco do rosto e olhando fixamente para Arnaldo, responde “hum-rum”, porém de uma forma mais impaciente.

- Outro dia mesmo, vi um rapaz tentando abrir a porta do carro para sua acompanhante e ela simplesmente disse a ele que tinha mãos para fazer este serviço e coordenação motora suficiente para não cair com a cara no meio fio. Vê se pode? Fiquei imaginando o que ela diria se ele resolvesse pagar a conta do restaurante: “Sou uma mulher independente e não preciso de nenhum homem para pagar minha salada e meu suquinho de laranja”. – disse Arnaldo, fazendo caretas e movimentos de deboche.

A moça não estava gostando da maneira com que seu vizinho de cadeira explanava suas ideias sobre o fim do cavalheirismo. Fechou bem sua expressão, movimentou seu tronco e olhando diretamente para Arnaldo, fez questão de ouvir o que ele ainda tinha para falar sobre este assunto.

- Veja dentro deste ônibus... ninguém tem educação! Antigamente, os homens levantavam e cediam assentos para as damas e os idosos. Hoje, graças ao Feminismo, os homens não precisam ser mais cavalheiros e as mulheres não exigem mais estes mimos. Este mundo está perdido! – diz Arnaldo, mostrando toda sua indignação.

Porém, a moça a seu lado perdeu por completo a paciência. Via muita injustiça nas palavras de Arnaldo e por isso, fez questão de enfim, entrar na conversa

- Espere aí, senhor! Estou lhe escutando choramingar sobre a falta de gentileza no mundo e principalmente, colocando a culpa em nós mulheres por isso. Acho que agora, é a vez do senhor me escutar!

Arnaldo arregalou os olhos com surpresa pela maneira ríspida com que as palavras lhe eram dirigidas. Mesmo assim, a moça continuou.

- Acho que não pode reclamar! Principalmente porque não parece ser idoso e nem tem deficiências, mesmo assim, o rapaz que estava sentado aqui ao meu lado se levantou e deixou o lugar para o senhor!

Arnaldo então fecha sua expressão, abre um de seus braços apontando para o corredor lotado do ônibus e diz em alto e bom tom, o porquê de sua indignação. 
- Sim! Mas minha esposa está grávida e desde que me sentei aqui, ninguém ainda se levantou para ela sentar!

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Nota do Autor: Recebi a piada desta coluna em meu e-mail, mas a ideia de adapta-la ao tema Cavalheirismo me ocorreu quando tomei pela última vez a linha 4111 na cidade de Belo Horizonte - MG. Fiquei abismado com a falta de educação dos passageiros, principalmente em relação aos mais velhos.

Nota Nota do Autor: Muitas mulheres reclamam atualmente da falta de Cavalheirismo por parte dos homens. Concordo plenamente com elas, mas quero alertar que o Homem Cavalheiro não é aquele que abre a porta do carro, ou paga a conta no fim da noite. O verdadeiro Cavalheiro é aquele que dá carinho, atenção, romantismo e fidelidade, mas lembre-se de também lhe proporcionar a mesma coisa.

Nota Nota Nota do Autor: A coluna esteve parada nas últimas semanas, pela memória fraca do autor. Simplesmente esqueci a senha do blog.