terça-feira, 9 de agosto de 2011

Reprimido


Na última crônica, aprendemos o significado da expressão “pimenta nos olhos dos outros é refresco”, não é mesmo? Agora, vamos observar o que acontece quando um Machista reencontra em um restaurante, um antigo amigo que tenta lhe explicar certa mudança comportamental.

Sendo assim, conheçam Marcos e Alexandre, dois companheiros da famosa peladinha do fim de semana, mas que não se viam há muito tempo. Neste caso, a culpa era de Marcos, que não ia mais aos jogos e muito menos encontrava os amigos para degustar algumas caixas de cerveja.

_ Faaaaala Marcão! Você sumiu, hein? Que bom te encontrar aqui cara! – diz Alexandre, dando um abraço caloroso em Marcos, com direito a fortes tapas nas costas.

_ Pois é Alex, tem tempo mesmo!

Alexandre percebe que Marcos estava feliz em lhe rever, mas não conseguia esconder um semblante de preocupação.

_ Caraca Marcão, que cara é essa? Aconteceu alguma coisa? Essa cara de preocupado é o motivo de seu sumiço da pelada? Pode confiar em seu amigão aqui! Se abre velho!

_Bom... olha Alex, eu não sei se devo lhe contar, mas por outro lado, acredito que me fará bem. – diz Marcos respirando fundo e tomando coragem.

Alexandre então o direciona até uma mesa vazia do restaurante e ao se sentarem, Marcos começa a desabafar.

_ Alex, você se lembra de quando eu tratava as mulheres como objeto? Quando não me preocupava com os sentimentos delas e simplesmente as usava como se fossem uma peça do meu vestuário?

Alexandre dá uma boa gargalhada de satisfação, se lembrando dos bons tempos.

_Cara, mas é claro que lembro. Você sempre foi meu herói! O Rei da Mulherada! Cada semana com uma gata diferente.

Marcos fecha sua expressão mostrando certo constrangimento com o que o amigo acabara de falar.

_ Alex, eu mudei! Não sou mais assim.

_Caraca Marcão! O que te levou a sair desta vida tão boa? – dando mais um tapa no ombro do amigo e levando tudo na brincadeira.

Marcos meio sem jeito, responde a pergunta do amigo.

_ Eu estava me consultando com uma Psicóloga e ela me fez entender que o que eu fazia com as mulheres era na verdade, uma forma de repressão.

_ Nossa cara! Mas como assim repressão? – diz Alexandre levando o desabafo do amigo com mais seriedade.

_ Ela me ensinou que a repressão é um termo utilizado na psicologia para reprimir um desejo e que se eu não cuidasse, poderia se transformar em uma patologia. Bom... deixa eu tentar te explicar melhor. Era como se eu estivesse fazendo tudo aquilo com as mulheres, para manter uma imagem para sociedade, sendo que na verdade, estava bloqueando inconscientemente um desejo muito íntimo.

_ Porra cara!!! Que @#$% de desejo íntimo é este? – pergunta Alexandre, tentando entender onde o amigo queria chegar.

Marcos fica claramente envergonhado.

_ Nossa... não sei como te explicar, mas o que eu realmente sei, é que quero e muito dar vazão a este meu desejo.

Alexandre, já um pouco impaciente com o suspense do amigo, diz abrindo o cardápio.

_ Olha, pensa em uma maneira de me explicar. Você é meu “brother” cara! E quero te ajudar com este seu problema. Pode ser o que for, ok? Bom, enquanto você pensa em como me contar, te adianto que escutar você falar em desejo me deu uma baita fome. Acho que comeria um boi agora!

Ao escutar o amigo, Marcos abre um sorriso maroto, faz um biquinho e não perde tempo em explicar qual era o desejo que reprimia.

_ Muuuuuuuuu!!!

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Nota do Autor: A ideia desta crônica surgiu quando vi mais uma vez o filme Beleza Americana. Se ainda não viu, recomendo.

Nota Nota do Autor: A série de crônicas está acabando. Faltam duas! Se você está lendo pela primeira vez, leia também as anteriores.

Nota Nota Nota do Autor: Estou no twitter (@joubertamaral) e também no Facebook (Joubert Amaral).

terça-feira, 26 de julho de 2011

Descartável


Na última crônica, observamos um Machista filosofar sobre o Cavalheirismo em um local nada convencional para isto. Agora, vamos observar a reação de um antigo conhecido de vocês, quando suspeita da traição de sua esposa.

É claro que todos se lembram do casal Roberval e Claudilene, não é mesmo? Em nossa série, acompanhamos como Roberval tratou Claudilene quando teve seu desempenho sexual questionado por ela, que por sua vez, mostrou se “arrependida” em uma confissão ao Padre de sua paróquia.

O que acontece agora, é que Roberval está desconfiado de sua esposa. Há muitos dias ele tem percebido que Claudilene está muito diferente. Já não fazia mais cobranças, os ciúmes bobos não existiam e além de tudo, transcendia felicidade e uma segurança que ele nunca vira nela, nem quando eram namorados. Na cabeça de um homem Machista, estas são dicas irrefutáveis de que ela tem outro.

Sendo assim, Roberval resolveu contratar um Detetive Particular. Ele queria ter certeza da traição da esposa antes de resolver o assunto da única maneira que conhecia, ou seja... na base da porrada.

Depois de alguns dias, o Detetive marcou um encontro na frente do Motel “Meteoro da Paixão”. Disse que havia seguido Claudilene até lá e esperava sua saída para efetuar o flagrante. Quando o marido traído chegou ao local combinado, os dois se cumprimentaram e ficaram calados por alguns instantes, até que o corno, quer dizer, Roberval quebrou o silêncio:

_ Eu até agora não posso acreditar que Claudilene fez isso comigo. Depois de tudo que dei a ela. Do carinho, da atenção... haaa, mas isto não vai ficar assim! Vou acabar com a raça daquela vagabunda.

O Detetive respira fundo e com um ar de sabedoria, leva sua mão direita até o ombro de Roberval e diz:

_ Sabe, já vi muitos casos como o seu e na maioria deles, acontecem tragédias exatamente porque uma das partes não teve sabedoria para lidar com a situação. Por isso, contenha-se!

Ao escutar o Detetive, Roberval abaixa a cabeça, envergonhado pelo que disse. Vendo está cena, o “free lancer da lei” resolve explanar alguns pensamentos sobre o mundo atual.

_ Não há do que se envergonhar Roberval, você não é o primeiro e nem será o último a passar por uma situação assim. Como lhe disse, já vi muitos casos como este e com o tempo de serviço, criei algumas teorias para as traições que estão acontecendo hoje em dia.

Roberval levanta a cabeça e a direciona para o Detetive, mostrando grande interesse no que ele tem a dizer.

_ A sociologia explica que estamos em plena “Era da Informação”, mas acredito que seria melhor chama-la de a “Era do Descartável”. Já notou como tudo é descartável neste mundo? 

Com um olhar confuso, Roberval demonstra que não sabia onde ele queria chegar com esta conversa. Porém, esperou que o Detetive continuasse sua teoria.

_ Já ouviu alguém dizer ultimamente que precisa trocar a bateria de seu celular? Roberval fez um gesto de negação com a cabeça e o Detetive continuou. 

_ As pessoas não compram baterias novas, simplesmente porque é mais fácil trocar de celular. Compram um modelo mais novo, com funções fantásticas, mas que nunca vão chegar a usá-las. Este mesmo exemplo você pode aplicar com televisões, roupas, carros e até mesmo casas. Tudo virou descartável e o problema, é que estamos fazendo o mesmo com nossas relações, sejam elas de amizade, profissionais ou amorosas. As pessoas não tentam mais resolver seus problemas, elas simplesmente se descartam e escolhem um “modelo melhor”.

Roberval ficou encantado com a sabedoria do detetive. Nunca havia pensado desta maneira e não pôde deixar de se sentir naquele momento como um celular velho, de funções ultrapassadas e bateria viciada. Porém, seus pensamentos foram interrompidos novamente pelo Detetive.

_ Veja! Parece que há uma movimentação na saída do Motel. Vá até a esquina e fique por lá, deixe que eu dê o flagrante. Vou tirar algumas fotos e você as usa como quiser. Porém lembre-se de ter muita sabedoria. Nada de violência, isto só piora ainda mais as coisas.

Roberval concordou e foi até a esquina. Estava satisfeito por ter contratado alguém tão sábio e com as emoções controladas. Depois de alguns minutos, escutou o que parecia ser uma discussão e quando se deu conta, viu o Detetive atracado com uma mulher na porta do motel. Era um verdadeiro barraco, com gritos, socos, pontapés e puxões de cabelo.

Roberval correu até o local já gritando com o Detetive.

_ Ficou maluco? O que está fazendo? Você não tinha me dito que violência não leva a nada nesses casos?

O Detetive parecia estar tomado por um ódio tão brutal, que nem escutou os gritos de Roberval, que ao se aproximar percebeu que não conhecia a mulher que estava apanhando.

_ Espera aí! Está que saiu do Motel não é a minha mulher.

O Detetive então dá o último tapa na cara da coitada e se vira para Roberval dizendo:

_ Mas é a minha!

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Nota do Autor: Mais uma piadinha Machista que recebi por e-mail e achei muito oportuno muda-la um pouco para deixar alguns recadinhos. Acredito que violência não leva a lugar nenhum, principalmente em casos como este. Só irá aumentar o sofrimento.

Nota Nota do Autor: A teoria do descartável, foi moldada em conversas com a psicóloga Vanessa Gontijo. Vamos refletir sobre o tema? O que estamos fazendo com nossas relações?

Nota Nota Nota do Autor: Estou também no Facebook e no Twitter. Para me encontrar no Facebook é simples, basta procurar por Joubert Amaral (acredito que não deva ter outro no mundo). Já para me seguir no Twitter, procure por @joubertamaral.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Cavalheiro


A cada semana, avançamos em nosso estudo sobre o comportamento dos últimos espécimes Machistas em um planeta dominado pelo Feminismo.

Desta vez, vamos observar como um Machista analisa o Cavalheirismo, uma atitude muito comum no passado entre os homens, mas que hoje está fora de moda.

Sendo assim, conheça Arnaldo, um Machista de aproximadamente cinquenta anos e que igual a muitos cidadãos que vivem nas capitais deste país, sofre com os problemas do transporte público. Se você está se perguntando o que isso tem haver com o tema abordado nesta coluna, respondo que tem tudo. Primeiro, porque é em um ônibus ou metrô lotado que observamos os atos mais simples de cavalheirismo. Segundo, porque sempre que estamos em um ônibus lotado e ainda por cima presos em um engarrafamento, o passageiro do lado quer puxar assunto, não é mesmo? Principalmente quando você quer apenas ficar sozinho com seus pensamentos.

Foi em um destes dias, preso em um engarrafamento quilométrico, em um ônibus lotado e ainda por cima com as janelas fechadas por causa da chuva (não sei como é o inferno, mas imagino que o transporte para lá é deste jeito), que Arnaldo resolveu filosofar sobre o cavalheirismo com uma moça que estava sentada ao seu lado.

- Já notou como as pessoas estão cada vez mais sem educação? Pergunta Arnaldo, fazendo com que a moça apenas vire a cabeça e responda com um empolgante: “hum”.

Mesmo notando que ela não estava muito para conversa, Arnaldo respondeu a própria pergunta.

- Sabe... tenho notado que desde que o Feminismo tomou conta do mundo, ninguém mais faz gentilezas. O próprio homem que antigamente tinha o cavalheirismo a seu favor, hoje não o usa mais, já que para muitos isso é brega e antiquado. Muito triste não é mesmo?

A moça a seu lado, movimenta apenas um pouco do rosto e olhando fixamente para Arnaldo, responde “hum-rum”, porém de uma forma mais impaciente.

- Outro dia mesmo, vi um rapaz tentando abrir a porta do carro para sua acompanhante e ela simplesmente disse a ele que tinha mãos para fazer este serviço e coordenação motora suficiente para não cair com a cara no meio fio. Vê se pode? Fiquei imaginando o que ela diria se ele resolvesse pagar a conta do restaurante: “Sou uma mulher independente e não preciso de nenhum homem para pagar minha salada e meu suquinho de laranja”. – disse Arnaldo, fazendo caretas e movimentos de deboche.

A moça não estava gostando da maneira com que seu vizinho de cadeira explanava suas ideias sobre o fim do cavalheirismo. Fechou bem sua expressão, movimentou seu tronco e olhando diretamente para Arnaldo, fez questão de ouvir o que ele ainda tinha para falar sobre este assunto.

- Veja dentro deste ônibus... ninguém tem educação! Antigamente, os homens levantavam e cediam assentos para as damas e os idosos. Hoje, graças ao Feminismo, os homens não precisam ser mais cavalheiros e as mulheres não exigem mais estes mimos. Este mundo está perdido! – diz Arnaldo, mostrando toda sua indignação.

Porém, a moça a seu lado perdeu por completo a paciência. Via muita injustiça nas palavras de Arnaldo e por isso, fez questão de enfim, entrar na conversa

- Espere aí, senhor! Estou lhe escutando choramingar sobre a falta de gentileza no mundo e principalmente, colocando a culpa em nós mulheres por isso. Acho que agora, é a vez do senhor me escutar!

Arnaldo arregalou os olhos com surpresa pela maneira ríspida com que as palavras lhe eram dirigidas. Mesmo assim, a moça continuou.

- Acho que não pode reclamar! Principalmente porque não parece ser idoso e nem tem deficiências, mesmo assim, o rapaz que estava sentado aqui ao meu lado se levantou e deixou o lugar para o senhor!

Arnaldo então fecha sua expressão, abre um de seus braços apontando para o corredor lotado do ônibus e diz em alto e bom tom, o porquê de sua indignação. 
- Sim! Mas minha esposa está grávida e desde que me sentei aqui, ninguém ainda se levantou para ela sentar!

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Nota do Autor: Recebi a piada desta coluna em meu e-mail, mas a ideia de adapta-la ao tema Cavalheirismo me ocorreu quando tomei pela última vez a linha 4111 na cidade de Belo Horizonte - MG. Fiquei abismado com a falta de educação dos passageiros, principalmente em relação aos mais velhos.

Nota Nota do Autor: Muitas mulheres reclamam atualmente da falta de Cavalheirismo por parte dos homens. Concordo plenamente com elas, mas quero alertar que o Homem Cavalheiro não é aquele que abre a porta do carro, ou paga a conta no fim da noite. O verdadeiro Cavalheiro é aquele que dá carinho, atenção, romantismo e fidelidade, mas lembre-se de também lhe proporcionar a mesma coisa.

Nota Nota Nota do Autor: A coluna esteve parada nas últimas semanas, pela memória fraca do autor. Simplesmente esqueci a senha do blog.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Romantismo


Depois de termos tido uma bela aula de física com o “arrependimento” da esposa de Roberval, continuamos a nossa análise sociológica de como os últimos espécimes Machistas estão se comportando em um mundo cada vez mais Feminista.

Na semana em que o Brasil homenageia os namorados, o Machista que vamos apresentar é um antigo mestre do romantismo. Seu nome é Genésio, um senhor de 85 anos e casado há 4 décadas com Eugênia. Dizem os amigos mais antigos do casal, pelo menos os que continuam vivos, que Genésio conquistou sua amada sendo o homem mais romântico que ela conhecera. Como os tempos eram outros, Eugênia foi vitima de seus encantos, que foram se acabando ao longo dos anos. Infelizmente, os atos românticos foram sendo substituídos aos poucos pelo comodismo do dia a dia.

É fato que está cada vez mais raro de se presenciar um ato de romantismo, tanto que muita gente acredita que logo vai entrar em esquecimento. Porém, na noite do dia 12 de junho, após mais uma jornada dominical do programa Silvio Santos, Eugênia parecia querer relembrar os velhos tempos.

_ Genésio... tá acordado? – perguntou ela.

A reposta de seu esposo veio apenas com um grunido.

_ Hoje foi dia dos namorados e fiquei pensando em nossos velhos tempos. Notei, que com os anos, criamos um espaço entre nós... até mesmo na cama. Lembra que quando éramos jovens, você fazia carinho no meu cabelo enquanto estávamos deitados?

Ao escutar o comentário, Genésio leva sua tremula mão ao encontro dos cabelos brancos de sua velha senhora. Ela dá um suspiro e continua.

_ Estive pensando em como o romantismo parece ter acabado com o tempo. Talvez seja culpa das próprias mulheres, que cada vez mais independentes foram ficando insensíveis aos mimos masculinos. Sabe Genésio... eu sempre gostei de seus mimos e adorava quando você me abraçava por trás e ficava de conchinha comigo.

Genésio deu uma olhada para cima e uma bufada de leve. Ajeitou seu corpo já consumido pela série de doenças terminadas em “ite” e na velocidade de bicho preguiça, abraçou Eugênia, que por sua vez se animou com aquilo.

_ Hummm, que bom... estava com saudades de ser abraçada assim. É incrível, mas não sei como as mulheres de hoje deixam de exigir que o parceiro seja romântico. Além do mais, as poucas que têm a sorte de encontrar um homem assim, chamam suas atitudes românticas de brega. Vê se pode? Mas eu não sou como elas... adoro homem romântico! Por falar nisso... me dá aquelas mordidinhas na bochecha que eu gostava, vai... me dá!

Com mais uma bufada, desta vez mais forte, Genésio se levanta da cama deixando Eugênia sem entender a atitude do marido.

_ Espera aí! Onde estão minhas mordidinhas?

Genésio então se vira e de uma forma bem romântica, responde à sua esposa:

_ Pra isso preciso buscar minha dentadura, véia chata!

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Nota do Autor: Essa é uma piadinha velha que circula pela internet, mas achei interessante adaptá-la para a semana dos namorados e abordar o tema romantismo.

Nota Nota do Autor: Quando Eugênia disse a Genésio que hoje muitas mulheres acreditam que as atitudes românticas são bregas, confesso que gostaria que ela estivesse enganada. Apesar de eu mesmo já ter sido considerado brega, continuo no desejo de um mundo repleto de breguices... seriamos mais felizes.

Nota Nota Nota do Autor: Se você for homem e vai sair com sua namorada no dia 12, não tenha medo, mostre para ela toda sua breguice. Só não contrate um carro de som, isso sim é muito brega.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Ação e Reação

 
Nas últimas semanas, temos observado como os poucos espécimes Machistas ainda remanecentes no planeta, têm reagido a determinadas situações impostas pelo Feminismo. Esta semana por sua vez, não vamos fazer mais uma de nossas análises sociológicas e sim, aprender um pouco de física.

Vocês estão lembrados do casal Roberval e Claudilene? Para quem nos visita pela primeira vez, ele é um Machista que acredita na serventia da mulher apenas para cuidar da casa e das necessidades do homem. Ela, por sua vez, é uma nova adepta do Feminismo e exigiu algumas mudanças nas atitudes de seu marido. Sendo assim, a partir da resposta que Roberval deu a Claudilene sobre suas reinvidicações, entenderemos o que Newton quis dizer sobre toda ação ter uma reação.

Era inicio de tarde e como sempre, o Padre da paróquia de São Judas Tadeu, entrava no confessionário para seu cochilo... quero dizer, sua habitual espera por fieis desesperados pela absolvição divina. Para a infelicidade do sacerdote, naquele dia mal tivera tempo de fechar os olhos.

_Padre, me ajude... eu pequei! Estou muito arrependida.

O Padre, apesar do leve susto, percebe que a voz é de Claudilene e tenta acalentar o desespero da fiel.

_ Minha filha, você está na Casa do Senhor e aqui encontrará o alento para seu desespero. Conte o que aconteceu.

_ Ai Padre, tudo o que eu queria era me sentir uma mulher de verdade e ao reivindicar meus direitos para meu marido, tudo que consegui foi uma muda de roupas sujas para lavar. Nossa, estou muito arrependida.

_ Desculpe, mas qual o problema em conversar com seu marido sobre uma de suas necessidades? Não vejo motivos para se arrepender e nem se envergonhar disto.  – disse o Sacerdote.

_ Não estou arrependida por isto Padre. – respondeu Claudilene com voz tremula.

_ Então, qual o seu pecado?

_ Padre... eu traí meu marido! 

A infidelidade no matrimonio, era uma confissão que o Padre recebia com certa frequência e as vezes, o fazia pensar em como as Feministas na ânsia de terem seus direitos em relação aos Machistas, adquiriram também seus piores defeitos. Porém, desta vez, havia ficado surpreso com o que acabara de escutar, principalmente pelo fato de se tratar de Claudilene.

_ Por que fez isso? Logo você que sabe a importância do matrimônio.

_ É que vi na novela Padre, uma mulher que tinha um marido como o meu, que a tratava como uma escrava e que nunca ligou para suas necessidades. Daí, ela um dia se cansou e o traiu com um homem 20 anos mais novo. Então, olhei pro lado e ví o Roberval saindo do banheiro coçando o saco e soltando um arroto. Não pensei duas vezes. Ai Padre... estou tão arrependida.

_ E quando aconteceu a traição?

_ Foi ontem a noite. Nossa... estou muito arrependida. Eu aproveitei que o Roberval ia chegar tarde do trabalho, me arrumei toda e fui pro forró. Lá, eu conheci um garoto de mais ou menos 25 anos. Para falar a verdade, nem lembro do nome dele direito, mas me recordo bem de suas feições... e como me recordo. Ele era moreno, com 1,80 de altura, cabelo negro e liso. Tinha um corpo sarado e sua roupa lhe caia sob medida. Quando me chamou para dançar, me pegou de um jeito... nossa, fiquei toda mole. Sabe Padre, depois de muita dança, ele me levou para um motel e aí nem te conto. Colocou uma música e foi tirando a roupa bem devagar... peça por peça. Quando terminou, hummmm... me tomou em seus braços e me disse com aquela voz grave “Hoje, eu vou te fazer sentir uma mulher de verdade.” 

A descrição do pecado de Claudilene, que já se abanava tentando acabar com o fogo que a consumia, foi logo interrompida pelo sacerdote.

_ Sinto muito Claudilene, não posso te dar a absolvição.

_ Mas Padre, como assim? A misericórdia de Deus é infinita e não foi o senhor mesmo que disse que aqui, eu encontraria o alento para meu arrependimento?

O Padre deu um suspiro e respondeu à fiel.

_Sim minha filha, a misericórdia de Deus é realmente infinita... mas, depois de você descrever seu pecado dessa maneira, até Ele dúvida de seu arrependimento.

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Nota do autor: Particularmente, acredito que nada justifica a infidelidade. A dor quando uma das partes descobre é muito grande, isso lhes garanto. Se por acaso está passando por uma situação parecida, recomendo que conte a verdade para seu parceiro(a), mesmo que corra o risco de acabar com a relação. Isso se chama respeito.

Nota Nota do Autor: Escrevi este texto a pedidos de muitas mulheres que ficaram indignadas pela maneira que Roberval tratou Claudilene. Em vários recados que recebi por E-mail, MSN e Facebook, a maioria dizia que ele merecia um bom par de chifres. Como eu já queria mesmo escrever sobre o tema, foi propício trazer de volta os personagens.

Nota Nota Nota do Autor: Se está visitando a coluna pela primeira vez e ficou curioso para saber como Claudilene foi tratada por Roberval, pode descobrir clicando aqui.

terça-feira, 24 de maio de 2011

O Homem Perfeito


Na última semana, acompanhamos como um Machista age quando seu desempenho sexual é questionado por sua parceira, agora vamos debater sobre um dos maiores mistérios da humanidade: o homem perfeito existe?

Este sempre foi um tema controverso no universo Feminista, tanto que a maioria acredita que se o homem perfeito existir, ele deve passar seus dias cavalgando no monstro do lago Ness, na busca pelo Santo Graal, que deve estar escondido nas Minas do Rei Salomão. Porém, nos últimos dias, foi divulgado nos noticiários que um Machista havia abandonado suas antigas convicções e agora, bradava ao mundo sua defesa pelas mulheres.

Suas ideias eram tão marcantes, que chamaram a atenção de inúmeras Feministas ao redor do planeta e o burburinho sobre a existência do homem perfeito recomeçou. Afinal, quem é ele? O que faz? De onde veio?

Na tentativa de responder estas perguntas, o ex Machista era o convidado especial do programa “De frente com Gabí”, tendo como apresentadora um exemplo de mulher moderna, ou seja, inteligente, bem sucedida, sem relacionamentos sérios e quando os tem, qual o problema de ser com um modelo 30 anos mais novo?

A curiosidade para esta entrevista foi tamanha, que a plateia foi tomada por Feministas de todos os tipos, jornalista e fotógrafos. Quando a apresentadora chamou seu convidado para adentrar ao palco, os fotógrafos o metralharam com seus flash’s, os jornalistas escreviam loucamente e as mulheres da plateia se perguntavam: “será que é este o homem perfeito”?

_ Muito bem! Meu convidado desta noite se intitula como um ex Machista e está causando alvoroço no mundo por suas ideias inovadoras em relação às mulheres. Então, gostaria de saber primeiro, quais são estas ideias? – perguntou a apresentadora.

O entrevistado, que parecia muito a vontade, não necessitou de muito tempo para formular a resposta:

_ O sistema imposto pelo Machismo sempre as considerou inferiores e com o tempo, vocês nos provaram que são tão, ou mais competentes que os homens em todos os setores de nossa sociedade.

As mulheres da plateia entraram em murmúrio coletivo. Os jornalistas se olhavam calados, enquanto os fotógrafos não perdiam um só movimento. A apresentadora levantou uma de suas sobrancelhas e com ar de deboche, emendou a próxima pergunta.

_ Muito bonito, mas palavras assim já foram proferidas antes, principalmente entre Machistas que nos davam migalhas de direitos, nos mantendo sob controle. O que há de novidade em suas ideias?

_ As vezes não percebemos o quanto a sociedade pode ser cruel. As mulheres conseguiram sua independência total e hoje, coordenam tudo. Vivemos em um mundo de maioria feminina. Porém, se deixaram prender em um dos principais pecados capitais... a vaidade. respondeu o entrevistado.

Tanto a apresentadora, quanto quem estava no estúdio se surpreendeu com a afirmação do ex Machista e o pediram para continuar.

_ Vocês se deixaram aprisionar por um modelo de beleza, onde todas o buscam de forma perigosa. Quantas de vocês não trabalham incansavelmente por mais e mais dinheiro, com o intuito de comprarem roupas da moda ou mesmo, fazerem plásticas de diversos tipos, tentando transformar seus corpos no modelo imposto pela sociedade como o certo?

As últimas palavras do homem pegaram todos de surpresa, até mesmo a  apresentadora que meses antes, havia passado por inúmeros sofrimentos na recuperação de algumas cirurgias plásticas e aplicações de botox por sua face. Sem deixar tempo para respirarem, o entrevistado continuou sua pregação.

_ Quem disse que a beleza tem regras? Vocês não precisam ter a barriga mais reta ou a silhueta mais assimétrica. Não precisam de roupas caras, de mamas ou glúteos maiores. Vocês tem a beleza natural da mulher, que transcende os padrões físicos e coloca em nossos dias mais carinho, atenção, companheirismo, afeto e principalmente... romance.

Nesse momento a plateia entrou em delírio, não conseguindo conter seus comentários: “É um novo messias para as mulheres.”, “Ele tem de abrir uma igreja!”, “Será que ele é solteiro?”

Os jornalistas por sua vez, telefonavam à suas redações desesperados em passar o que seria a manchete do dia seguinte: “O homem perfeito se revela”.

A apresentadora extasiada e tentando ainda compreender aquela estranha satisfação, continua a entrevista.

_ Uau! Realmente o senhor é uma grata surpresa. Um homem para ter este tipo de ideias, tem de ser realmente muito especial. Você parece entender muito bem a mente de uma mulher. Como isso é possível? O que lhe fez mudar tanto?

O entrevistado neste momento dá um suspiro aliviado e com um belo cruzar de pernas responde:

_ Noooossa, achei que nunca ia perguntar. Olha menina, mudei  mesmo quando eu conheci o Carlão, sabe? Ele me fez ver eeeestrelas me “preenchendo” por completo. Compreendi alí o que é ser mulher. Há e antes que me esqueça... a-do-rei a cor do seu batom!

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Nota do Autor: Apesar de não ter sido desta vez que as mulheres encontraram o homem perfeito, as ideias explanadas pelo entrevistado devem ser refletidas. A busca incessante das mulheres e até mesmo pelos homens, por um tipo de beleza imposta por malucos padrões de moda, é preocupante.

Nota Nota do Autor: O homem perfeito já foi tema também de um curto monólogo de outro “Jô”. Clique aqui e ria bastante.

Nota Nota Nota do Autor: A foto do Luan Santana no topo da coluna é meramente ilustrativa.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Orgasmo Feminino


Desde que as Feministas se tornaram a espécie dominante no planeta, elas estão cada vez mais obstinadas em conseguir tudo o que lhes são de direito. Uma de suas principais reivindicações é pelo prazer sexual, assunto que por incrível que pareça, é desconhecido para muitas mulheres. Este é exatamente o tema que vamos abordar esta semana e assim, observar como um Machista age quando sua parceira o questiona sobre seus desempenhos sexuais.

Então, conheçam Roberval. Um homem de meia idade e de tratos um pouco antiquados. Não é de o seu feitio falar muito e por isso mesmo, sempre é direto quando tem de dizer alguma coisa. Sobre mulheres, sua opinião é clara e simples: mulher boa é aquela que cuida da casa e das necessidades do marido.

Nosso espécime Machista tem uma parceira fixa que o tolera... quer dizer, que o acompanha há mais de 20 anos na difícil vida a dois. Seu nome é Claudilene, uma mulher de mais ou menos 45 anos, que sempre respeitou Roberval da maneira que era, mas depois de assistir uma reportagem na televisão, estava disposta a se sentir uma “mulher de verdade”.

Quando Roberval chegou em casa, depois de um dia cansativo no trabalho, tudo o que queria era um banho, uma cerveja gelada e assistir a Araguaia X Alecrim (RN), um clássico da quarta divisão do Campeonato Brasileiro. Porém, se deparou com Claudilene o esperando para uma conversa séria.

_ Que bom que chegou, pois quero ter uma conversa com você! Disse ela em tom autoritário.

Roberval, que não admitia que ninguém, quanto mais sua esposa, fala-se com ele daquela maneira, preferiu esperar pacientemente o desenrolar da conversa.

_ Hoje assisti à uma reportagem na televisão, que mudou e muito minha maneira de pensar. Agora quero é me sentir uma mulher de verdade.

Ele continuava parado, em pé, apenas olhando fixamente para a esposa, que continuava seu discurso.

_Você sabia, que de acordo com um instituto de pesquisa, quase 60% das mulheres adultas no Brasil, não sabem o que é ter um orgasmo com seu parceiro? Sabia ainda que 70% das mulheres entrevistadas admitiram que já fingiram alguma vez um orgasmo?

Roberval continuava compenetrado no discurso de Claudilene. Ele não estava gostando nenhum pouco da maneira com que ela falava, mas ainda preferia o silencio como resposta.

_ Eu sou uma delas Roberval! Estou farta de você me procurar a noite, fazermos amor por uns três minutinhos e na hora que tudo começa a ficar bom, você me lambuza, vira para o lado e ronca feito um porco. Chega!!! Quero me sentir uma mulher de verdade!

Ao escutar Claudilene reclamar de seu desempenho sexual, uma fúria tomou conta de Roberval. Não ia admitir sua esposa falar com ele daquele jeito. Então, de uma forma bruta, abriu sua camisa espalhando botões por toda a sala. Desafivelou seu cinto e tirou rapidamente sua calça, ficando apenas de cueca.

Claudilene ficou em êxtase ao ver aquela cena. Pensou logo em todos os filmes românticos que viu na vida, onde o homem tomava a mulher em seus braços para terem uma grande noite de amor.

Já Roberval, que segurava suas roupas em uma das mãos, resolveu quebrar seu silêncio.

_Então, você quer se sentir uma mulher de verdade?

Claudilene abre seus braços e com grande sorriso no rosto, de prontidão responde:

_ Sim Roberval... faça me sentir uma mulher de verdade.

Roberval, subitamente joga suas roupas no rosto de sua esposa e diz:

_ Então lava!!! Mas vê se não usa muito amaciante!

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Nota do Autor: Apesar de Claudilene não ter conseguido domar seu Machista, o assunto em questão é sério, tanto que além do alto percentual de mulheres que não conhecem o orgasmo com seus parceiros, há aquelas que o descobrem apenas com as músicas do Roberto Carlos. Duvida? Clica aqui então.

Nota Nota do Autor: Se você é homem e está lendo esta coluna, pense um pouco sobre suas performances na cama. Não seja como Roberval, ajude sua parceira a ter prazer também. Tenho certeza que a noite de vocês será bem melhor.

Nota Nota Nota do Autor: A piadinha do final é batida, eu sei, mas se você não riu e ainda achou o texto tendencioso, deixo claro que avisei no primeiro parágrafo que observaríamos como um Machista, lida com a questão.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Espécie em Extinção


Muitos grupos ecológicos estão preocupados com a extinção eminente de espécies importantes para nosso eco sistema. E não é para menos, já que segundo o IBAMA , somente o Brasil possui mais de 200 espécies na lista oficial de animais ameaçados de extinção. Porém, há uma espécie que nem o IBAMA e nenhum outro grupo de defesa estão preocupados em preservar. Estou falando do MachistoSapiens, um animal membro da espécie primata bípede, proveniente dos Homo Sapiens, mas que se nega a usar a termologia Homo, pois acredita ser muito gay.

Os Machistas, como a espécie é popularmente conhecida, por séculos estiveram em todos os pontos do planeta. Era comum encontra-los em bandos, principalmente em bares, seu habitat natural, observando uma partida de futebol ou em um emocionante campeonato de arrotos.

O domínio dos Machistas no planeta teve seu declínio com a ascensão das FeministaSapiens, um animal também membro da espécie primata bípede, proveniente dos Homo Sapiens, mas sem contras a termologia Homo, afinal toda mulher adora ter um amigo gay. 

As Feministas, como são popularmente conhecidas, possuem diferenciações genéticas que as fazem usar seus intelectos de forma mais objetiva do que a espécie Machista e assim, foi fácil a elas difundirem seus ideais de forma avassaladora ao redor do planeta. Alguns historiadores acreditam que os Machistas não tiveram tempo suficiente para pensar no que estava acontecendo, o que era de se esperar já que um dos principais defeitos genéticos da espécie era o de ter duas cabeças no corpo e sangue suficiente para usar apenas uma de cada vez.

Os Machistas foram caçados e eliminados. Muitos, em uma tentativa desesperada de sobrevivência, aceitaram as revindicações Feministas e evoluíram a espécie. Assim, o mundo conheceu os MetroSapiens, um animal da espécie primata bípede, proveniente dos Homo Sapiens, que ainda se nega a usar a termologia Homo, mas não vê nada demais em depilar a barba ou passar uma basesinha nas unhas de vez em quando.

Hoje, alguns estudiosos acreditam que ainda é possível observar o Machismo livre e em sua forma original, gritando Alá, Shalon ou Aleluia em países de religiões discutíveis. Se esta teoria estiver correta e sem a criação de uma política de preservação, é questão de tempo para que os membros livres desta espécie terem o mesmo fim de seus pares.

Por causa deste extermínio sem controle, este blog decidiu manter alguns Machistas em cativeiro, mas não com o intuito de procriação e sim com o objetivo de estudar seu comportamento em uma sociedade cada vez mais Feminista. A cada semana, será apresentado o resultado de um desses estudos e espero que com eles, possamos entender melhor o que se passa na cabeça dos membros desta espécie, antes que se tornem apenas animais empalhados em algum museu de história natural.

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Nota do Autor: Se você é machista foragido e busca pela evolução da espécie, espero que as crônicas lhe ajudem. Se não, indico a Dona Gertrudes... ela deixa sua unha em ótimo estado e não tira nenhum bifinho. 

Nota Nota do Autor: Se você é machista foragido e luta “bolsanaricamente” para manter se vivo nesta sociedade, lhe desejo boa sorte. Está cada vez mais difícil encontrar uma mulher que queira um homem assim. 

Nota Nota Nota do Autor: Contribuam com ideias e experiências pessoais a respeito do Machismo. Envie um e-mail e me conte tudo. Vamos fazer este blog juntos!