terça-feira, 9 de agosto de 2011

Reprimido


Na última crônica, aprendemos o significado da expressão “pimenta nos olhos dos outros é refresco”, não é mesmo? Agora, vamos observar o que acontece quando um Machista reencontra em um restaurante, um antigo amigo que tenta lhe explicar certa mudança comportamental.

Sendo assim, conheçam Marcos e Alexandre, dois companheiros da famosa peladinha do fim de semana, mas que não se viam há muito tempo. Neste caso, a culpa era de Marcos, que não ia mais aos jogos e muito menos encontrava os amigos para degustar algumas caixas de cerveja.

_ Faaaaala Marcão! Você sumiu, hein? Que bom te encontrar aqui cara! – diz Alexandre, dando um abraço caloroso em Marcos, com direito a fortes tapas nas costas.

_ Pois é Alex, tem tempo mesmo!

Alexandre percebe que Marcos estava feliz em lhe rever, mas não conseguia esconder um semblante de preocupação.

_ Caraca Marcão, que cara é essa? Aconteceu alguma coisa? Essa cara de preocupado é o motivo de seu sumiço da pelada? Pode confiar em seu amigão aqui! Se abre velho!

_Bom... olha Alex, eu não sei se devo lhe contar, mas por outro lado, acredito que me fará bem. – diz Marcos respirando fundo e tomando coragem.

Alexandre então o direciona até uma mesa vazia do restaurante e ao se sentarem, Marcos começa a desabafar.

_ Alex, você se lembra de quando eu tratava as mulheres como objeto? Quando não me preocupava com os sentimentos delas e simplesmente as usava como se fossem uma peça do meu vestuário?

Alexandre dá uma boa gargalhada de satisfação, se lembrando dos bons tempos.

_Cara, mas é claro que lembro. Você sempre foi meu herói! O Rei da Mulherada! Cada semana com uma gata diferente.

Marcos fecha sua expressão mostrando certo constrangimento com o que o amigo acabara de falar.

_ Alex, eu mudei! Não sou mais assim.

_Caraca Marcão! O que te levou a sair desta vida tão boa? – dando mais um tapa no ombro do amigo e levando tudo na brincadeira.

Marcos meio sem jeito, responde a pergunta do amigo.

_ Eu estava me consultando com uma Psicóloga e ela me fez entender que o que eu fazia com as mulheres era na verdade, uma forma de repressão.

_ Nossa cara! Mas como assim repressão? – diz Alexandre levando o desabafo do amigo com mais seriedade.

_ Ela me ensinou que a repressão é um termo utilizado na psicologia para reprimir um desejo e que se eu não cuidasse, poderia se transformar em uma patologia. Bom... deixa eu tentar te explicar melhor. Era como se eu estivesse fazendo tudo aquilo com as mulheres, para manter uma imagem para sociedade, sendo que na verdade, estava bloqueando inconscientemente um desejo muito íntimo.

_ Porra cara!!! Que @#$% de desejo íntimo é este? – pergunta Alexandre, tentando entender onde o amigo queria chegar.

Marcos fica claramente envergonhado.

_ Nossa... não sei como te explicar, mas o que eu realmente sei, é que quero e muito dar vazão a este meu desejo.

Alexandre, já um pouco impaciente com o suspense do amigo, diz abrindo o cardápio.

_ Olha, pensa em uma maneira de me explicar. Você é meu “brother” cara! E quero te ajudar com este seu problema. Pode ser o que for, ok? Bom, enquanto você pensa em como me contar, te adianto que escutar você falar em desejo me deu uma baita fome. Acho que comeria um boi agora!

Ao escutar o amigo, Marcos abre um sorriso maroto, faz um biquinho e não perde tempo em explicar qual era o desejo que reprimia.

_ Muuuuuuuuu!!!

-||-

Nota do Autor: A ideia desta crônica surgiu quando vi mais uma vez o filme Beleza Americana. Se ainda não viu, recomendo.

Nota Nota do Autor: A série de crônicas está acabando. Faltam duas! Se você está lendo pela primeira vez, leia também as anteriores.

Nota Nota Nota do Autor: Estou no twitter (@joubertamaral) e também no Facebook (Joubert Amaral).

terça-feira, 26 de julho de 2011

Descartável


Na última crônica, observamos um Machista filosofar sobre o Cavalheirismo em um local nada convencional para isto. Agora, vamos observar a reação de um antigo conhecido de vocês, quando suspeita da traição de sua esposa.

É claro que todos se lembram do casal Roberval e Claudilene, não é mesmo? Em nossa série, acompanhamos como Roberval tratou Claudilene quando teve seu desempenho sexual questionado por ela, que por sua vez, mostrou se “arrependida” em uma confissão ao Padre de sua paróquia.

O que acontece agora, é que Roberval está desconfiado de sua esposa. Há muitos dias ele tem percebido que Claudilene está muito diferente. Já não fazia mais cobranças, os ciúmes bobos não existiam e além de tudo, transcendia felicidade e uma segurança que ele nunca vira nela, nem quando eram namorados. Na cabeça de um homem Machista, estas são dicas irrefutáveis de que ela tem outro.

Sendo assim, Roberval resolveu contratar um Detetive Particular. Ele queria ter certeza da traição da esposa antes de resolver o assunto da única maneira que conhecia, ou seja... na base da porrada.

Depois de alguns dias, o Detetive marcou um encontro na frente do Motel “Meteoro da Paixão”. Disse que havia seguido Claudilene até lá e esperava sua saída para efetuar o flagrante. Quando o marido traído chegou ao local combinado, os dois se cumprimentaram e ficaram calados por alguns instantes, até que o corno, quer dizer, Roberval quebrou o silêncio:

_ Eu até agora não posso acreditar que Claudilene fez isso comigo. Depois de tudo que dei a ela. Do carinho, da atenção... haaa, mas isto não vai ficar assim! Vou acabar com a raça daquela vagabunda.

O Detetive respira fundo e com um ar de sabedoria, leva sua mão direita até o ombro de Roberval e diz:

_ Sabe, já vi muitos casos como o seu e na maioria deles, acontecem tragédias exatamente porque uma das partes não teve sabedoria para lidar com a situação. Por isso, contenha-se!

Ao escutar o Detetive, Roberval abaixa a cabeça, envergonhado pelo que disse. Vendo está cena, o “free lancer da lei” resolve explanar alguns pensamentos sobre o mundo atual.

_ Não há do que se envergonhar Roberval, você não é o primeiro e nem será o último a passar por uma situação assim. Como lhe disse, já vi muitos casos como este e com o tempo de serviço, criei algumas teorias para as traições que estão acontecendo hoje em dia.

Roberval levanta a cabeça e a direciona para o Detetive, mostrando grande interesse no que ele tem a dizer.

_ A sociologia explica que estamos em plena “Era da Informação”, mas acredito que seria melhor chama-la de a “Era do Descartável”. Já notou como tudo é descartável neste mundo? 

Com um olhar confuso, Roberval demonstra que não sabia onde ele queria chegar com esta conversa. Porém, esperou que o Detetive continuasse sua teoria.

_ Já ouviu alguém dizer ultimamente que precisa trocar a bateria de seu celular? Roberval fez um gesto de negação com a cabeça e o Detetive continuou. 

_ As pessoas não compram baterias novas, simplesmente porque é mais fácil trocar de celular. Compram um modelo mais novo, com funções fantásticas, mas que nunca vão chegar a usá-las. Este mesmo exemplo você pode aplicar com televisões, roupas, carros e até mesmo casas. Tudo virou descartável e o problema, é que estamos fazendo o mesmo com nossas relações, sejam elas de amizade, profissionais ou amorosas. As pessoas não tentam mais resolver seus problemas, elas simplesmente se descartam e escolhem um “modelo melhor”.

Roberval ficou encantado com a sabedoria do detetive. Nunca havia pensado desta maneira e não pôde deixar de se sentir naquele momento como um celular velho, de funções ultrapassadas e bateria viciada. Porém, seus pensamentos foram interrompidos novamente pelo Detetive.

_ Veja! Parece que há uma movimentação na saída do Motel. Vá até a esquina e fique por lá, deixe que eu dê o flagrante. Vou tirar algumas fotos e você as usa como quiser. Porém lembre-se de ter muita sabedoria. Nada de violência, isto só piora ainda mais as coisas.

Roberval concordou e foi até a esquina. Estava satisfeito por ter contratado alguém tão sábio e com as emoções controladas. Depois de alguns minutos, escutou o que parecia ser uma discussão e quando se deu conta, viu o Detetive atracado com uma mulher na porta do motel. Era um verdadeiro barraco, com gritos, socos, pontapés e puxões de cabelo.

Roberval correu até o local já gritando com o Detetive.

_ Ficou maluco? O que está fazendo? Você não tinha me dito que violência não leva a nada nesses casos?

O Detetive parecia estar tomado por um ódio tão brutal, que nem escutou os gritos de Roberval, que ao se aproximar percebeu que não conhecia a mulher que estava apanhando.

_ Espera aí! Está que saiu do Motel não é a minha mulher.

O Detetive então dá o último tapa na cara da coitada e se vira para Roberval dizendo:

_ Mas é a minha!

-||-

Nota do Autor: Mais uma piadinha Machista que recebi por e-mail e achei muito oportuno muda-la um pouco para deixar alguns recadinhos. Acredito que violência não leva a lugar nenhum, principalmente em casos como este. Só irá aumentar o sofrimento.

Nota Nota do Autor: A teoria do descartável, foi moldada em conversas com a psicóloga Vanessa Gontijo. Vamos refletir sobre o tema? O que estamos fazendo com nossas relações?

Nota Nota Nota do Autor: Estou também no Facebook e no Twitter. Para me encontrar no Facebook é simples, basta procurar por Joubert Amaral (acredito que não deva ter outro no mundo). Já para me seguir no Twitter, procure por @joubertamaral.